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quinta-feira, 28 de abril de 2016

POEMA À MANEIRA DE CECÍLIA MEIRELES



TRABALHOS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS


Ou isto ou aquilo 




Ou se tem aula e não se tem recreio

ou se tem recreio e não se tem aula!

Ou se trabalha e não se vai de férias

ou se vai de férias e não se trabalha.


Quem fica em casa, não vai ao cinema,

quem vai ao cinema não fica em casa.

É uma grande tristeza que não se possa

Estar ao mesmo tempo em dois locais!


Ou compro o cachorro e gasto o dinheiro.

Ou guardo o dinheiro e não compro o cachorro,

Ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo…

E vivo aflito/a a pedir socorro!


Não sei se vejo televisão, não sei se faço a composição

Se fico no sofá ou se faço exercício.

Mas não consegui entender ainda

Se faço ou não faço o sacrifício.




Turma – 3ºJ EB Triana

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

POEMA INFANTIL








A Língua de Nhem

Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.

E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também

a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,

ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
Cecília Meireles

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

POEMA DE CECÍLIA MEIRELES


O CAVALINHO BRANCO

À tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:

mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.

O cavalo sacode a crina
loura e comprida

e nas verdes ervas atira
sua branca vida.

Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos

a alegria de sentir livres
seus movimentos.

Trabalhou todo o dia, tanto!
desde a madrugada!

Descansa entre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!



.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

POEMA DA SEMANA

Criança

Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sozinho,
que sozinho sofre, — e resiste,

Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente...

Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo medo de perder tudo.

Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sobre a água do mundo
para mirar seu desencanto.

Para ver passar numa onda lenta e fria
a estrela perdida da felicidade
que soube que não possuiria.

Cecília Meireles

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

POEMA DA SEMANA

Passarinho no sapé


P tem papo
o P tem pé. 
É o P que pia? 
(Piu!) 
Quem é? 
O P não pia: 
O P não é. 
O P só tem papo 
e pé. 
Será o sapo? 
O sapo não é. 
(Piu!) 
É o passarinho
que fez seu ninho 
no sapé. 
Pio com papo. 
Pio com pé. 
Piu-piu-piu: 
Passarinho. 
Passarinho 
no sapé.

Cecília Meireles

domingo, 30 de novembro de 2014

POEMA DA SEMANA

O mosquito escreve



O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.

O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.

Este mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí, 
se arredonda e faz outro O,
mais bonito.

Oh! 
Já não é analfabeto, 
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.

Mas depois vai procurar 
alguém que possa picar,
pois escrever cansa, 
não é, criança?

E ele está com muita fome.

Cecília Meireles

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

POEMA DA SEMANA

Uma palmada bem dada




É a menina manhosa

Que não gosta da rosa,

Que não quer a borboleta

Porque é amarela e preta,

Que não quer maçã nem pêra

Porque tem gosto de cera,

Porque não toma leite

Porque lhe parece azeite,

Que mingau não toma

Porque é mesmo goma,

Que não almoça nem janta

porque cansa a garganta,

Que tem medo do gato

E também do rato,

E também do cão

E também do ladrão,

Que não calça meia

Porque dentro tem areia

Que não toma banho frio

Porque sente arrepio,

Que não toma banho quente

Porque calor sente

Que a unha não corta

Porque fica sempre torta,

Que não escova os dentes

Porque ficam dormentes

Que não quer dormir cedo

Porque sente imenso medo,

Que também tarde não dorme

Porque sente um medo enorme,

Que não quer festa nem beijo,

Nem doce nem queijo.

Ó menina levada,

Quer uma palmada?

Uma palmada bem dada

Para quem não quer nada!


Cecília Meireles

sexta-feira, 14 de março de 2014

UM CONTO

Diálogo




O menino rico falou:
- Meu pai tem muito dinheiro e pode dar-me o que eu quiser. Quem traz melhores roupas que as minhas? Quem tem brinquedos mais belos que os meus?
E ele estava todo vestido de seda e apontava, orgulhoso, os brinquedos esparsos...
Então, o menino pobre levantou o rostinho triste e falou:
- Meu pai tem muito pouco dinheiro e nada me pode dar do que se compra... Mas, quando vem do trabalho, beija-me e abraça-me tanto que eu fico todo enfeitado de festas... E, como não tenho brinquedos, divirto-me com o sol, com as crianças iguais a mim e com os animais que encontro pelo caminho... À noite amontoo carneirinhos de nuvens e brinco de esconde-esconde com a lua...
Nesse instante... era o instante em que os pássaros do crepúsculo vinham chegando...


Cecília Meireles, Criança meu amor

POEMA DA SEMANA


A bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.