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ter, 24 de Novembro
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

CONTO DE NATAL - 3

A Estrela de Natal


— Este ano — disse o senhor Bontempo no fim do pequeno-almoço — havemos de fazer uma árvore de Natal enorme, magnífica.

— Pois claro — respondeu a senhora Bontempo, toda risonha, olhando para o tecto da sua grande casa nova. — Pois claro, podemos arranjar uma muito grande.

Os cinco meninos Bontempo fecharam os olhos para poderem imaginá-la à sua vontade. E à noite, quando o senhor Bontempo trouxe para casa caixas e caixas cheias de enfeites novos para a árvore, toda a família o rodeou imediatamente.

Deve dizer-se que eram enfeites magníficos! Grandes bolas prateadas capazes de fazer inveja a todas as árvores da terra, frutos de vidro, sininhos brilhantes que tocavam a valer, e pássaros cor do arco-íris, de asas abertas. E, por fim, o mais belo, o mais cintilante dos anjos.

— O anjo irá para o cimo da árvore — disse o senhor Bontempo com orgulho. — A estrela que costumávamos lá pôr serviu durante muito tempo; agora quero uma coisa diferente.

A senhora Bontempo já não sorria, e os cinco meninos também não.

— O quê! — pensava ela com tristeza. — Aquela estrela que sempre vi no cimo de todas as árvores de Natal da minha infância!

«Aquela estrela é a primeira coisa em que nós pensamos quando falamos em Natal», disseram consigo os dois mais velhos.

A Maria e o Miguel, os mais novinhos, também pensavam que ficariam muito tristes se a estrela não estivesse no seu lugar no cimo da árvore.

E a Marta, a mais pequenina, exclamou:

— Ó pai, eu quero a estrela!

Então o senhor Bontempo teve uma ideia luminosa. Com muito cuidado, pousou o anjo em cima da chaminé e disse:

— O lugar dele é aqui. Não fica bem? Afinal, parece-me que se a árvore de Natal for muito rica deixará de ser a nossa árvore de Natal.

E toda a família Bontempo soltou um suspiro de alívio. Sentaram-se à mesa com os olhos a brilhar, como se a velha estrela tão querida de todos se reflectisse em cada olhar.


Maria Isabel de Mendonça Soares in 365 Histórias de Encantar, da Verbo Infantil, 1955

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

CONTO DE NATAL - 2


NOITE DE NATAL


A noite havia chegado depressa, naquela pequena vila da Europa; era véspera de Natal; soprava um vento gelado e havia neve no chão.

Aquele pobre vendedor de feira tinha passado o dia inteiro vendendo uns poucos, simples brinquedos de madeira e pano.

Graças a Deus, havia vendido quase todos.

Na verdade, só tinha sobrado uma linda boneca, que ele havia pensado em vender por um bom dinheiro.

Mas a rua já estava deserta, poucas pessoas passavam apressadas, sem prestar atenção aos seus chamados.

É a última! dizia ele já desconsolado – a última boneca ! Ninguém quer levá-la ?

Como ninguém parava, ele começou a desmontar a barraca.

O frio era intenso, dava vontade de correr para dentro de casa, ficar junto da lareira.....

Só então, ele percebeu a figurinha magra de uma menina – teria uns seis anos, tremia de frio , mas estava quieta, calada, parada, olhando fixamente a boneca.

Vá para casa, menina ! - disse-lhe o vendedor. Vá para casa, aquecer-se um pouco !

A menina não respondia. No rosto magro, só se viam os olhos fixos, enormes; ela não escutava nada.

O vendedor ainda perguntou: - Onde está a sua mãe ?

- Ela morreu, disse a garota num fio de voz. Não tenho mais ninguém !

O vendedor era pobre, muito pobre; mas o brilho dos olhos enormes daquela menina o cativou; e. de repente, levado por uma força estranha, estendeu a boneca para a garota.

Ela a pegou, a abraçou, murmurou um: - obrigada!! - e se foi.

Naquele mesmo instante, uma estrela de um brilho excepcional se desprendeu; acendeu-se mais intensamente, atravessou o veludo escuro do céu – e se perdeu, enfim, no horizonte distante.

O vendedor acompanhou admirado o seu trajeto…

E soube, do fundo do seu coração, que esse sinal era o agradecimento de uma mãe.


A Noite de Natal Publicado em 12 de November de 2009 por Romano Dazzi