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sábado, 28 de março de 2020

OS GÉNIOS DO PARQUE - VAMOS LER?

Um conto para ler no fim de semana em contexto famíliar.


BOAS LEITURAS

Os génios do parque
Ciências Resumos

O Paulo tivera uma nota má na escola e era o pior aluno da sua turma. Ele queria muito ter boas notas, mas não conseguia aprender o suficiente para isso. Preferia brincar, ver televisão ou simplesmente sonhar olhando para as nuvens.

Ao voltar para casa, o Paulo encontrou um lindo esquilo que lhe pediu se partia uma noz grande. O Paulo partiu a noz com o pé e entregou-a ao esquilo que lhe disse:

— Eu sou um génio do parque e, como tu foste amável comigo, vou ajudar-te com os teus estudos. Esta noite, lerás três vezes a lição e amanhã terás uma boa nota.

O Paulo agradeceu ao esquilo, voltou para casa e, bem sentado na sua secretária, leu três vezes a lição. No dia seguinte leu a lição na escola sem dificuldade e a professora deu-lhe uma boa nota.

beira.pt

No dia seguinte, o Paulo viu uma rã cheia de areia no caminho. Pegou nela e pousou-a delicadamente sobre uma grande folha de nenúfar no lago do parque.


— Eu sou um génio do parque — disse-lhe a rã. — Eu não podia saltar e tu ajudaste-me. Para te agradecer, vou ajudar-te nos estudos. Esta noite, lerás três vezes o texto e amanhã terás uma boa nota.
O Paulo voltou depressa para casa e leu três vezes o texto. No dia seguinte, o Paulo teve a melhor nota da turma e recebeu ainda felicitações por parte da professora.

Pinterest

Alguns dias mais tarde, um pequeno pintarroxo pediu ao Paulo que colocasse no seu ninho um pedaço de pão demasiado pesado para ele. O Paulo assim fez.

— Eu sou um génio do parque — disse-lhe o pintarroxo. — Como foste bondoso comigo vou ajudar-te na tua lição de geografia. Esta noite, lerás três vezes a lição e amanhã terás uma boa nota.

Como das outras vezes, o Paulo obedeceu ao pássaro e leu três vezes a sua lição e, como de costume, obteve uma boa nota.

Nos dias seguintes, o Paulo continuou a atravessar o parque sempre que voltava para casa, mas não encontrou mais nenhum génio. Apesar de tudo, para lhes agradar, continuou a ler, todas as noites, três vezes as suas lições e no fim do mês era já o melhor aluno da sua turma. A professora apresentou-o aos outros como exemplo de aluno aplicado e explicou a todos que é preciso ler as lições todos os dias para ter bons resultados.

Sempre que o Paulo vê um esquilo, uma rã ou um pintarroxo, pensa nos génios do parque e agradece-lhes por o terem encorajado a estudar. Agora, o Paulo já não precisa da ajuda deles, pois sente-se capaz de ter sucesso apenas com a sua força de vontade.




Mireille Saver, Histórias para sonhar, Porto, Civilização Editora, 2004


sexta-feira, 20 de março de 2020

VAMOS LER? - 10 MINUTOS POR DIA O BEM QUE TE FAZIA

A cadeira musical


IKEA


Era uma vez uma cadeira que sabia música. Uma pessoa sentava-se nela e a cadeira começava a tocar.

— É uma cadeira-caixinha de música. Tem molas especiais que fazem “clique”, quando uma pessoa se senta na cadeira e, então, a caixinha de música começa a tocar — explicava quem sabia destes mecanismos de cadeiras musicais.


Talvez fosse, realmente, assim. O certo é que, um dia, a cadeira se avariou. Deixou de tocar música. Passou a ser uma cadeira banal, igual a milhões de outras que não tocam.

— Deve estar com as molas gastas — disse a velha e gorda senhora, dona da cadeira. — Vou mandar arranjá-la.

Mas na oficina das cadeiras desenganaram-na:

— Já não há quem arranje dessas cadeiras.

Voltou a cadeira para casa da senhora que, às vezes, com saudades de outros tempos, nela se sentava, evocando a musiquinha que a cadeira, dantes, tocava.

A velha e gorda senhora lembrava-se de quando era nova, leve e gentil e ia, às escondidas da avó, sentar-se na cadeira com música.

— Tlim, tlim, tlim e mais tlim — tocava a cadeira, à volta da menina.

Que saudades! A senhora largou um imenso suspiro e foi atender à porta, porque a campainha repicara. Era uma amiga com o sobrinho, um miúdo tímido, escondido atrás da sombra da tia.

— Entrem para a sala — convidou a velha senhora.

Logo aconteceu que o menino se foi sentar na cadeira avariada. E não é que ela, sem mais quê nem porquê, ao leve peso do garoto, começou a tocar?

O miúdo saltou, assustado, e a cadeira calou-se. Então, a velha senhora explicou o mecanismo da cadeira e tudo voltou ao certo.

Naquela tarde, a cadeira tocou que foi um regalo ouvir.

— Eu já devia estar muito pesada para a sensibilidade da cadeira — concluiu a senhora.

E logo ali ficou combinado que o menino, sempre que quisesse, podia vir visitar a senhora. E a cadeira. As duas teriam muito prazer em recebê-lo.