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1117am
ter, 24 de Novembro

sábado, 9 de maio de 2020

MAIS BONITO DO QUE AS SARDAS

Ler+Para Ser+




"As rugas deviam simplesmente indicar o lugar onde os sorrisos estiveram."

Mark Twain


Aconteceu um ano no Zoo. Eu e a minha filha estávamos ao lado de uma avó e de uma menina com a cara toda pintalgada de sardas vermelhas e brilhantes. As crianças faziam fila, esperando que uma artista local lhes pintasse as caras, decorando-as com patinhas de tigre.

— Tu tens tantas sardas que nem há sítio para pintar — berrou um rapaz da fila. Envergonhada, a pequenita ao meu lado baixou a cabeça.

A avó ajoelhou-se ao lado dela. — Adoro as tuas sardas — disse ela.

— Mas eu não! — respondeu a menina.

— Bem, quando eu era pequena só queria ter sardas — disse ela, passando o dedo pelas bochechas da criança. — As sardas são lindas!

A menina olhou para cima. — A sério?

— Claro — disse a avó. — Diz-me lá uma só coisa que seja mais linda que as sardas.

A pequenita examinou atentamente a cara sorridente da velha senhora. — As rugas — disse meigamente.

Aquele momento ensinou-me algo a partir de então. Se olharmos os outros com os olhos do amor, não veremos defeitos. Apenas beleza.

DIA DA MÃE - 10 DE MAIO


Por que todos os dias são DIA DA MÃE




quarta-feira, 6 de maio de 2020

ACERCA DO 1º DE MAIO

TRABALHOS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS 

planicie.pt

UM POEMA DA MARIA BARBOSA, 6.º ANO, TURMA A, Nº 11


Um dia igual aos outros,
uma data insignificante,
que depois de tantos anos
teve uma reviravolta chocante.

Um dia,já cansados
com as condições de trabalho,
saíram todos ás ruas
da cidade de Chicago.

Conseguiram o que queriam
e já puderam descansar,
e, no dia seguinte,
com vontade, foram trabalhar.

ACERCA DO 1.º DE MAIO

TRABALHO PRODUZIDOS PELOS ALUNOS

UM POEMA DO GONÇALO MONTEIRO, Nº 2, 6.º A

planície.pt


1º de maio
Dia do trabalhador


Acordar, trabalhar,
a rotina a começar.


Trabalhar com amor
com poucos intervalos
acaba o dia
e vai dormir


para a rotina
recomeçar...


A CRISE DE SUCESSÃO AO TRONO AO TRONO (1383-1385)

TUDO COMEÇOU COM A MORTE DE D. FERNANDO....
Torre de Babel.blogs.sapo.pt


HGP - A crise de 1383-85 e o problema da sucessão ao trono hgp.pt



RTP ENSINA - a crise de 1383-85

Clica aqui:

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O ANO DA PESTE NEGRA

SUGESTÃO DE LEITURA PARA O 5.º ANO

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

ISBN: 9789722100328
Edição ou reimpressão: 04-1997
Editor: Editorial Caminho
Idioma: Português
Dimensões: 129 x 184 x 8 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 140
Tipo de Produto: Livro
Coleção: Viagens no Tempo


SINOPSE

Impulsivo como sempre, João carrega nuns botões marcando sem querer uma data fatídica: 1348. Não foi preciso mais nada para a máquina do tempo disparar para esse ano, o ano em que a tremenda peste negra varreu a Europa, assassinando milhões de pessoas. Claro que Orlando quis voltar para trás, só que a máquina avariou.
Então o cientista e os dois irmãos não tiveram outro remédio senão percorrer as ruas de Lisboa quase deserta em busca de um ferreiro que lhes fabricasse uma peça especial. As voltas e reviravoltas levaram-nos a um palacete onde tinham sobrevivido apenas um menino de seis anos com fama de ter poderes sobrenaturais para curar certas doenças e o seu velho criado Valdemar. Fazem amizade. Mas quando menos esperam são todos perseguidos e assaltados por uma perigosa quadrilha.

Resta-lhes lutar ou morrer.

Veja 

in WOOK


PESTE NEGRA, A PIOR PRAGA DE TODOS OS TEMPOS




O Século XIV

sábado, 2 de maio de 2020

TEXTO POÉTICO DE LUÍSA DUCLA SOARES

A MÃE

wook.pt

A mãe
é uma árvore
e eu sou uma flor.

A mãe
tem olhos altos como estrelas.
Os seus cabelos brilham
como o sol.

A mãe
faz coisas mágicas:
transforma farinha e ovos
em bolos,
linhas em camisolas,
trabalho em dinheiro.

A mãe
tem mais força do que o vento:
carrega sacos e sacos do supermercado
e ainda me carrega a mim.

A mãe
quando canta
tem um pássaro na garganta.

A mãe
conhece o bem e o mal.
Diz que é bem partir pinhões
e partir copos é mal.
Eu acho tudo igual.

A mãe
sabe para onde vão
todos os autocarros,
descobre as histórias que contam
as letras dos livros.

A mãe
tem na barriga um ninho.
É lá que guarda
o meu irmãozinho.


A mãe
podia ser só minha.
Mas tenho de a emprestar
a tanta gente…

A mãe
à noite descasca batatas.
Eu desenho caras nelas
e a cara mais linda
é da minha mãe.

Luísa Ducla Soares, Poemas da mentira e da verdade, Livros Horizonte, 1999

POESIA - FALA DE MÃE E FILHO


O Leme

«Meu filho:

onde vais
que tens do rio o caminhar?»

Não espreites a estrada, mãe,
que eu nasci
onde o tempo se despenhou.

«Meu filho:
onde te posso lembrar
se apenas te dei nome para te embalar ?»

Mãe, minha mãe:
não te pese saudade
que eu voltarei sempre
como quem chega do mar.

«Meu filho:
onde te posso nascer
se meu ventre seco
nunca ninguém gerou?»

Mãe, nascerás sempre
na pedra em que te escuto:
a tua ausência, meu luto,
teu corpo para sempre insepulto.



Mia Couto, em “Tradutor de Chuvas”. Lisboa: Editorial Caminho, 2011.


TEXTO POÉTICO DE FLORBELA ESPANCA

DE JOELHOS
Florbela Espanca - revista Estante

“Bendita seja a Mãe que te gerou.”
Bendito o leite que te fez crescer
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama, pra te adormecer!

Bendita essa canção que acalentou
Da tua vida o doce alvorecer …
Bendita seja a Lua, que inundou
De luz, a Terra, só para te ver …

Benditos sejam todos que te amarem,
As que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!

E se mais que eu, um dia, te quiser
Alguém, bendita seja essa Mulher,
Bendito seja o beijo dessa boca!!


 Florbela Espanca, em “Livro de Mágoas”. Lisboa: Editorial Estampa, 2012.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

UMA APOSTA DE LEITURA PARA O FIM DE SEMANA...

LER+ PARA SER+

A APOSTA DE LEITURA
Estação da Leitura- Webnote

A minha irmã mais velha tinha acabado de ler um romance. O relógio ia bater as nove da noite e eu esperava com receio que a minha mãe viesse mandar-me para a cama. Eu, que nunca tinha podido ler um livro até à última página, achava que a minha irmã acabava de realizar um voo prodigioso, pois, com as suas inúmeras páginas, não se poderia comparar o livro ao espaço? Pelas janelas abertas, sentia-se a noite agradável de Julho.

Senti-me desgostoso e jurei a mim próprio que também eu havia de ler um livro.

Na tarde do dia seguinte, disse à minha irmã:

— Aposto contigo como vou ler um livro inteiro.

— Ainda és muito pequeno.

— Já sou bem grande e corro mais depressa do que tu! — protestei com indignação.

Pegámos cada um em seu livro de grossura média, a que contámos as páginas, e combinámos que, aquele que acabasse a leitura em primeiro lugar, comeria a sobremesa do outro.

— Vamos para debaixo da tília — propus.

Estendemo-nos à sombra daquela árvore prodigiosa de tronco alto como uma torre e com uma forma que dir-se-ia ter sido escavado. A quatro pés do chão, este dividia-se em várias pernadas mestras, imponentes, parecendo, cada uma delas, por sua vez, o tronco de uma grande árvore. No seu conjunto, as quatro pernadas formavam a armação de um imenso guarda-sol de folhas. Tínhamos jurado, pelo nome de qualquer santo ou divindade, que não saltaríamos nenhuma página, nem uma linha sequer.

Atirei-me ao livro como um leão à sua presa. Devoradas duas páginas, levantei rapidamente os olhos para observar a minha irmã: de cócoras, a três passos do tronco, segurava o livro na saia, entre os joelhos afastados e não se mexia. Não pude ver-lhe os olhos, mas senti que para mim eram uns rivais temíveis e, a tremer, retomei a corrida.

O que estava eu a ler? Nunca soube, nem sequer naquele momento, porque se tratava apenas de correr e ultrapassar a minha adversária… Enquanto lia, não pude deixar de notar a rapidez com que a minha irmã virava as páginas e senti que eu já estava a ficar para trás. Quis saltar para ganhar avanço; mas lembrei-me do nosso juramento e detive-me. O tempo não era de trovoada, mas, para o culpado, o raio está sempre por perto. Cheio de ânimo, pus-me a galope. No entanto, mil obstáculos, sombrios ou brilhantes, atravessavam-se no meu caminho: de repente, certas palavras alongavam-se ou ficavam tão estreitas, que pareciam querer tornar-se invisíveis, ou então, várias palavras ou pedaços de frase colavam-se uns aos outros como bolhas à superfície de um lago e acabavam por formar uma espuma esquisita. Mais adiante, pareciam andar à bulha umas com as outras, e eu era obrigado a separá-las. Tudo aquilo me impedia de avançar.

Os meus olhos trabalharam muito. Mas pude fazer alguns voos em flecha que rasaram deliciosamente a página. O enlevo desse movimento fez-me esquecer a aposta. Atrasei-me a olhar à volta das palavras, ou até mais acima, e cheguei mesmo a parar para engendrar um sentido obscuro, como um cão que fareja uma toupeira. Ou então, fazia estoirar uma palavra como uma cápsula e daquela semente morta soltava-se o germe, desenvolvia-se, terminando, em poucos segundos, o seu crescimento. Naqueles instantes eu tinha sido árvore, floresta, para voltar a ser, logo a seguir, dois olhos a correrem para uma nova descoberta.

Assim prosseguiu por algum tempo a minha leitura, num outro mundo, sem a curiosidade de verificar o caminho percorrido.

De repente, estremeci. Tinha entrado numa espécie de túnel onde reinavam as trevas. Apesar de avançar corajosamente, não consegui encontrar nenhum sentido. O medo de ficar para sempre bloqueado apoderou-se de mim, de uma forma tão violenta, que fechei os olhos, como para mergulhar mais fundo, encontrar a luz e esquecer a escuridão.

Foi o que aconteceu. Nem sequer me apercebi de que erguera as pálpebras. À minha frente brilhou, de repente, uma claridade sobrenatural, como a que deve ver o afogado ao ressuscitar da água.

Ouvi a melodia de um melro. Cada sílaba sua parecia gravar-se na folhagem da tília, e aquela nova leitura reteve o meu olhar lá no alto, entre as grossas pernadas, onde algo estranho me chamou a atenção: os suportes de ferro que as ligavam umas às outras com segurança. Não era a primeira vez que estava a vê-los. O meu irmão explicara-me um dia que, se não fossem eles, aquelas pernadas demasiado pesadas e apoiadas num tronco demasiado curto, viriam abaixo com toda a folhagem, como os cabos de um carrossel. Mas hoje estava a olhar para aqueles suportes de uma forma completamente nova. Não foi tanto o aspecto daqueles ferros enferrujados que me chamou a atenção, mas antes, os ramos que eles suportavam. Pareciam aceitar com dificuldade aquele incómodo, e veio-me à ideia o ranger que a árvore fazia quando o vento soprava: eram as pernadas aprisionadas que se lamentavam.

Pus o livro de lado e, em bicos de pés, apoiado no tronco com ambas as mãos, pus-me a observar os ramos de mais perto. Uma folhagem espessa encobria-me o mistério. Estaria o tronco oco e sacrificado a pedir-me ajuda e a oferecer-me as suas asperezas sólidas para me servirem de espigões e eu poder trepar até à junção de onde saíam as quatro pernadas mestras?

Não tive dificuldade em subir, pois pude fazer a cabeça passar por entre a folhagem. Em seguida, agarrei-me à casca e lá consegui segurar-me, de uma assentada, no ângulo formado pelas duas pernadas mais grossas.

Um mundo novo e doloroso abriu-se diante de mim. No entanto, aquela sensação de angústia que eu sentira a princípio, ao ver a parte de baixo dos ramos onde os ferros enferrujados tinham cedido ao peso, desaparecera logo que pude ver de perto os músculos vigorosos da tília. Pareciam vingar-se dos ferros, porque em vários pontos, aliás, em quase toda a extensão, a carne da madeira tinha-se fechado à volta do ferro, formando inchaços nodosos, de forma que os ferros, segurando ainda os ramos, tinham, por sua vez, ficado prisioneiros nela.

A minha alegria era tanta, que bati palmas e quase perdi o equilíbrio. Depois levantei os olhos. Sem dúvida, a grande tília era a mais forte. Que necessidade tinha ela de apoio? As pernadas mestras subiam e mantinham-se sem dificuldade, deixando pender ramos mais pequenos que pareciam estar ali só para se divertirem. No topo, tudo confluía num verdejante infinito. Uma alegre vertigem apoderou-se de mim; o dossel de folhas pôs-se a girar por cima da minha cabeça, os cinco ramos giravam também sobre o eixo do tronco principal. Ouvi o canto dos pássaros como nunca tinha ouvido, e, de repente, lembrando-me da comparação do meu irmão, pareceu-me que estava na feira popular e que a árvore se tinha transformado num carrossel vivo.

Um movimento desajeitado meu obrigou-me a baixar os olhos, enquanto me agarrava a um ramo. Vi a minha irmã. Vista de cima, não passava de uma grande bola cinzenta com outra mais pequena, a cabeça, no meio. O duplo quadrado branco do livro recordou-me bruscamente a leitura. Um misto de furor e surpresa fez-me hesitar um minuto ali até onde tinha subido quase sem me dar conta. Há quanto tempo estava ali?

Baixei-me e deixei-me escorregar sem barulho. No chão, escondi-me atrás do tronco da tília para a minha irmã não me ver, caso levantasse a cabeça. Cuidado inútil. A minha irmã lia, toda metida no livro. Só a mão que virava as páginas, parecia viver no mesmo mundo que eu. Com efeito, ela não levantara os olhos desde que entrara na história. Eu podia ter caído da árvore, ter arrastado comigo a tília, com um assustador ruído de ferros, que a minha irmã não se desligaria do livro.

Despachei-me a pegar no meu e retomei a posição que ocupava no momento em que a árvore me tinha chamado. Estava perdido, bem sabia. Havia duas coisas que mo mostravam: o sol, que já ia baixo, e a reduzida espessura do quadrado branco que a minha irmã segurava na mão direita. Era demasiado tarde para recuperar o tempo perdido. No entanto, fingi estar absorvido na leitura do meu livro, observando pelo canto do olho, com angústia, os progressos da minha irmã, marcados pelo movimento nervoso da mão que virava as páginas. Vi as suas pálpebras baterem cada vez mais rápido, à medida que o fim se aproximava e, de repente, o desenlace que eu receava concretizou-se. A minha irmã deixou cair o livro na relva; ergueu a cabeça e ficou uns momentos de olhos fechados. Depois, voltando-se para mim, pareceu procurar-me, embora eu estivesse diante dela e ela já tivesse os olhos abertos. Fechei o meu livro com barulho.

— Acabei — disse a minha irmã ainda inchada de leitura.

— Eu também — exclamei com uma força que me fez tremer.

Ela olhou para mim, admirada, compôs uma mecha de cabelo que a incomodava:

— Não é verdade — disse, sem se zangar.

Julguei que se tinha apercebido da minha ausência mas agarrei-me à mentira, como há pouco me agarrara ao ramo.

— Acabei antes de ti — afirmei eu.

— Então conta lá a história.

Corado de vergonha, comecei a contar-lhe o início do livro até ao momento em que tinha entrado no túnel. Depois, levantando-me com uma tal audácia que não sabia que tinha, continuei, em imaginação, o caminho por onde tinha andado. Tremia e avançava cheio de raiva; a grande tília oferecia-me o apoio dos seus braços musculosos, e, no entanto, parecia que ia sacudir os ferros e atirar-se sobre mim para me castigar.

A minha irmã deixou-me continuar por algum tempo, depois bateu palmas e exclamou:

— Estás a mentir, estás a inventar. Só leste o início do livro. Eu já o conheço, li-o todo e vou contar-te a história.

Comecei a soluçar de raiva e de remorsos, apanhei o livro que me tinha caído das mãos e atirei-o para longe, com todas as minhas forças.

O meu desespero redobrou quando a minha irmã, julgando consolar-me, me disse que renunciava à minha sobremesa.

Franz Hellens

Contes et nouvelles ou Les souvenir de Frédéric

Bruxelles, Editions Jacques Antoine, 1977
Tradução e adaptação

DESAFIO! PARTICIPA! - ATUALIZAÇÂO


Youtube.com


O desafio é apresentar a mãe ou a pessoa que considera como mãe. 

Tem 10 linhas. Cada linha tem 25 caracteres.
Não poupe elogios. 
Não poupe sugestões.




Neste desafio registaram-se 186 participações. A equipa da Biblioteca agradece a quem participou.