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ter, 24 de Novembro
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domingo, 29 de novembro de 2020

POESIA DE ANTÓNIO GEDEÃO

                                                      Lágrima de preta 

                                                                                                                WOOK

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar. 

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado. 

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente. 

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais. 

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio. 

Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


António Gedeão, Obra Poética, Lisboa, Ed. João Sá da Costa, 2001. P. 83

sábado, 16 de novembro de 2019

POESIA

IMPRESSÃO DIGITAL


https://segredosdomundo.r7.com/5-mais-raras-e-exoticas-cores-de-olhos-que-existem/



Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandescente.

Inútil seguir vizinhos,
que ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão


escolhos - dificuldades